sábado, 5 de novembro de 2011

IG: No Brasil, convictos da ensino domiciliar travam guerra judicia

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/no-brasil-convictos-da-ensino-domiciliar-travam-guerra-judicial/n1597354512421.html

Pais enfrentam Conselho Tutelar, Ministério Público e até abrem mão de assistência social para ensinar os filhos em casa

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo 05/11/2011 07:00
Texto:
O professor de História da Educação, Luiz Carlos Faria da Silva, não aprovou os métodos da escola particular que escolheu para os filhos. Depois de dois anos de tentativa, resolveu tirá-los de lá, mas não procurou nenhuma outra instituição. “Quando você muda de colégio, escolhe a faixa de gasto e o nível social dos colegas, o restante é tudo igual”, diz o pedagogo que aderiu ao ensino domiciliar - ohomeschooling norte-americano, proibido no Brasil.
Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os pais têm obrigação de matricular os filhos na escola, mas há um grupo de famílias brasileiras convictas de que vale a pena infringir esta lei. “Cerca de 400”, diz o pesquisador Fabio Schebella, diretor da Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned). “O número não é preciso principalmente porque a maioria não quer se expor”, afirma.
Foto: Arquivo pessoalAmpliar
Julia, 11 anos, e Lucas, 13, não vão à escola há três anos e têm os pais como professores em casa
As razões alegadas para eliminar a escola da vida das crianças vão da falta de qualidade do ensino regular à preservação da educação moral dada em casa. Alguns pais defendem ainda que o sistema educacional limita a capacidade do ser humano de aprender.
“As pessoas não precisam que alguém ensine para aprender. Esse é um mito que vira verdade depois de anos na escola”, diz o designer Cleber Nunes, que educou em casa os dois filhos mais velhos, hoje com 17 e 18 anos, e agora ensina a caçula, de 4 anos. “A escola torna as pessoas dependentes. A criança nasce aprendendo o tempo todo, até que aparecem os pais delimitando e depois a escola em larga escala.”
O caso dele é uma das brigas judiciais mais emblemático. Autodidata, se convenceu de que precisava ensinar os filhos a buscar conhecimentos sozinhos, mas por obrigação chegou a matriculá-los em uma escola em Thimóteo, cidade mineira onde morava. Até que conheceu o homeschooling norte-americano.
A escola torna as pessoas dependentes. A criança nasce aprendendo o tempo todo, até que aparecem os pais delimitando e depois a escola em larga escala”
Pesquisou tudo sobre o assunto durante quase dois anos. Viajou para os Estados Unidos, comprou material, convenceu a mulher, formada em magistério, e tirou os filhos da escola quando estavam na 5ª e 6ª série. “Até meus amigos falavam que eu ia ser preso”, conta.
Denunciado pelo Conselho Tutelar, foi processado pelo Ministério Público em 2005 e desde então é um fora da lei. Tentou argumentar que os filhos estavam aprendendo, mas não foi ouvido. Depois de quase dois anos, inscreveu os dois meninos, então com 12 e 13 anos, no vestibular de Direito da Faculdade de Ipatinga para chamar atenção. Os meninos foram aprovados em 7º e 13º lugar, mas não convenceram o juiz, que multou Cleber em 12 salários mínimos. “Aí eu percebi que era uma questão ideológica e não haveria bom senso, mas apenas preocupação em cumprir o que estava no papel”, conta.
Foto: Carolina CimentiAmpliar
Mãe adepta do homeschooling nos Estados Unidos
A multa nunca foi paga e Cleber perdeu também um processo criminal. Neste ano, os meninos fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que além de servir como instrumento de acesso à universidade, dá direito à certificação de conclusão da etapa de ensino. “Pode ser que façam faculdade, mas os dois já são webdesingers e podem optar pelo empreendedorismo.”
Sem bolsa família
Por conta de históricos como este, a maioria das famílias que decide pela educação domiciliar evita se expor. No Rio de Janeiro, Sergio e Fluvia Pereira, pais de cinco crianças, três em idade escolar, ensinam os filhos sozinhos. Ela é dona de casa e ele tem um comércio de doces em frente à casa em Senador Camará. Pediram à reportagem para que não fossem divulgadas imagens da família.
Para os dois, a escola municipal do bairro não melhorou o aprendizado dos filhos nos últimos seis anos. Pior, atrapalhou a educação que davam em casa. “Tivemos que matricular cada um aos 7 anos, mesmo já tendo ensinado a ler e escrever. Depois de três anos, as crianças estavam jogando papel no chão dentro de casa. Nunca fariam isso antes”, afirma Sérgio.
Após tomar contato com outras famílias e a Aned, eles cancelaram a matrícula das crianças no último mês de junho. Antes mesmo que fossem denunciados, procuraram o Ministério Público e expuseram suas razões. A decisão incluiu abrir mão de R$ 150 do Bolsa Família e R$ 146 do Cartão Carioca, programas assistenciais do governo federal e do Rio de Janeiro que atrelam o pagamento à assiduidade das crianças às aulas.
Segundo Fluvia, o dinheiro que deixou de receber representava cerca de um quarto da renda total da casa. “Mas é pelo futuro deles. Compramos livros e estou todos os dias retomando a matéria. Na escola, eles passavam dias e horas sem nenhuma atenção.” O Ministério Público ainda não decidiu se aceita a proposta da família.
Rigidez moral
Apesar de uma proposta para formalizar o ensino domiciliar ter recebido parecer negativo na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados no mês passado, há casos bem sucedidos. O professor universitário de Maringá, que abre esta reportagem, conseguiu acordo com a Justiça.
Logo que desistiu da escola cristã escolhida criteriosamente, ele a mulher, professora de piano formada em pedagogia, foram denunciados ao Conselho Tutelar e sofreram processo do Ministério Público. Chegaram a matricular Lucas e Julia, hoje com 13 e 11 anos, em uma escola pública só por obrigação, planejando ensinar o que queriam em casa, mas segundo Silva “não duraram dois meses”. “Disse para a promotoria que não ia deixar meus filhos em escola onde criança sobe em cima da mesa e abaixa as calças”, conta.
Em casa, os filhos assistem a televisão no máximo meia hora por dia e aprendem que devem ser obedientes. “Hoje em dia, as crianças querem escolher tudo, o que vestir, o que comer, quem sabe o que é melhor para eles é a família”, diz Silva.
Se você leva para a escola perde o controle da formação dos seus filhos”
O casal se responsabilizou por a ensinar em casa o conteúdo que domina e contratou professores particulares de matemática e inglês. A Justiça aceitou mediante avaliação periódica aplicada em uma escola pública. O método já funciona há três anos. “Se você leva para a escola perde o controle da formação dos seus filhos”, diz Silva, que já completou três anos de ensino domiciliar com os filhos, Lucas, de 13 anos, e Julia, de 11 anos.
O professor que dá aula de História da Educação e Filosofia conta que mesmo os colegas da Universidade Estadual de Maringá não o compreendem. “Existe um pensamento hegemônico de que o melhor é esta cultura praticada pelas escolas. As pessoas que foram ao Congresso Nacional também acham que precisa socializar, mas um dia a sociedade brasileira vai aceitar que é direito dos pais escolher a educação que quer para os filhos.”
QUESTÃO LEGAL
PELA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA É DEVER DO ESTADO E DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS GARANTIR O ENSINO REGULAR ÀS CRIANÇAS E AOS ADOLESCENTES DE 4 A 17 ANOS. O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE REFORÇA A OBRIGATORIEDADE
PARA A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ENSINO DOMICILIAR, TRATA-SE DE UMA OMISSÃO DA MODALIDADE, PARA A JUSTIÇA TRATA-SE DE PROIBIÇÃO
EM 19 DE OUTUBRO A COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS REJEITOU UMA PROPOSTA DE 2008 QUE AUTORIZAVA A EDUCAÇÃO DOMICILIAR. OUTRA PROPOSTA, A PEC 444, QUE PEDE A INCLUSÃO DO TERMO NA CONSTITUIÇÃO, FOI ACEITA PELA COMISSÃO  DE JUSTIÇA EM AGOSTO


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Folha: Complexo de poodle


03/11/2011 - 08h23

Complexo de poodle

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/1000849-complexo-de-poodle.shtml
Nossa presidenta chegou à reunião de cúpula do G-20 na França mais uma vez dando sermão nos já estressados colegas do hemisfério Norte sobre o que eles devem e não devem fazer para sair da crise. Parecia chefe de missão do FMI nos anos 1980 dando pito nos governantes da América Latina em crise.
A política externa econômica brasileira está cada vez mais agressiva tentando ser mais assertiva. Elevou a retórica, o protecionismo e o apetite por litígio.
Dilma Rousseff tem razão ao pedir "estímulo ao crescimento, ao emprego e à melhoria de vida das populações", como fez ontem ao chegar a Cannes. Aliás, quem é contra isso? Mas ela fala daquele jeito que parece uma bronca. E é.
E Dilma ainda nos intrometeu no impasse europeu que opõe Grécia a França e Alemanha ao defender mais gastos públicos e menos rigor fiscal para os europeus saírem da crise. Paris e Berlim exigem justamente o contrário de Atenas em troca do socorro financeiro, mas o governo grego botou a política na frente da economia e preferiu convocar um plebiscito sobre o pacote, enfurecendo Paris e Berlim.
O pior é que a assertividade dilmista vem de convicções duvidosas, para dizer o mínimo, sobre a eficiência do Estado como agente econômico. É uma assertividade precoce, presunçosa diante das profundas carências e misérias brasileiras.
Há ainda um fosso enorme que separa nossa economia e nossa qualidade de vida média das dos países a quem Dilma e seus assessores econômicos adoram dar lições de desenvolvimento (ou desenvolvimentismo). Dois rankings internacionais divulgados recentemente deixam isso claro.
No ranking sobre facilidade de fazer negócios do Banco Mundial, o Brasil está na posição 126 entre 183 países. Já no IDH, o ranking da ONU que mede o desenvolvimento humano em 187 países, o Brasil está na posição 84. Estamos muito atrás de quem criticamos em ambos.
É claro que nossas deficiências e carências são paradoxalmente nossas forças. Saná-las é caminho certo para o desenvolvimento. É por isso que nós crescemos mais que os países ricos.
Crescemos quase por inércia depois que consolidamos as regras básicas da economia de mercado num regime democrático. O potencial brasileiro é enorme, e bastou essa estabilidade para decolar, mesmo com ambiente de negócios horroroso. É uma força bruta, do brasileiro, sobretudo um forte, criativo e maleável para enfrentar o peso pesadíssimo de tributos, custos e obrigações.
Lula (boa recuperação!) e FHC foram presidentes solares, o melhor de seus grupos políticos, maiores que a vida, sínteses diferentes do mesmo país, complementares na realização máxima da história brasileira de fechar e firmar o consenso nacional em torno da democracia liberal capitalista.
Com Dilma, muito mais terra do que sol, o Brasil poderia ter a gerente que precisa para resolver problemas tão básicos como levar esgoto aos lares de milhões de brasileiros ou facilitar a abertura de empresas.
Apontar o dedo para o problema econômico dos outros não move um palito para resolver os nossos problemas. Nem os deles.
Não vamos trocar o complexo de vira-latas envergonhado pelo complexo do poodle, latindo sem consistência.
Sérgio Malbergier
Sérgio Malbergier é jornalista. Foi editor dos cadernos Dinheiro (2004-2010) e Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial da Folha a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha.com às quintas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Macro II - Notas da P1


        Matrícula           acertos              erros             em branco    Nota acerto       Nota erro              Nota        Nota final
200921226005 12 3 0 7,992 1,998 5,994 5,994
201021226051 10 1 4 6,66 0,666 5,994 5,994
201021226006 10 2 3 6,66 1,332 5,328 5,328
201021226020 11 3 1 7,326 1,998 5,328 5,328
201021226046 11 3 1 7,326 1,998 5,328 5,328
201011225002 11 4 0 7,326 2,664 4,662 4,662
200711226001 9 2 4 5,994 1,332 4,662 4,662
201011225014 9 2 3 5,994 1,332 4,662 4,662
201021226017 11 4 0 7,326 2,664 4,662 4,662
201011225037 11 4 0 7,326 2,664 4,662 4,662
201021226019 11 4 0 7,326 2,664 4,662 4,662
200921226047 11 4 0 7,326 2,664 4,662 4,662
201021226022 10 3 2 6,66 1,998 4,662 4,662
200911225036 9 3 2 5,994 1,998 3,996 3,996
201011225039 9 3 3 5,994 1,998 3,996 3,996
200911225004 8 2 5 5,328 1,332 3,996 3,996
201011225012 10 5 0 6,66 3,33 3,33 3,33
200921226025 10 5 0 6,66 3,33 3,33 3,33
201021226033 10 5 0 6,66 3,33 3,33 3,33
200921226012 9 5 1 5,994 3,33 2,664 2,664
201011225032 8 4 3 5,328 2,664 2,664 2,664
200921226001 8 5 2 5,328 3,33 1,998 1,998
200921226002 9 6 0 5,994 3,996 1,998 1,998
200911225007 8 5 2 5,328 3,33 1,998 1,998
201011225043 9 6 0 5,994 3,996 1,998 1,998
200911225044 6 3 6 3,996 1,998 1,998 1,998
201011225007 3 1 11 1,998 0,666 1,332 1,332
201112225002 6 4 5 3,996 2,664 1,332 1,332
201021226001 7 5 0 4,662 3,33 1,332 1,332
201011225056 8 6 1 5,328 3,996 1,332 1,332
200921226042 7 5 3 4,662 3,33 1,332 1,332
200921226008 6 5 4 3,996 3,33 0,666 0,666
201011225054 8 7 0 5,328 4,662 0,666 0,666
200921226036 8 7 0 5,328 4,662 0,666 0,666
201011225052 6 5 1 3,996 3,33 0,666 0,666
200921226038 8 7 0 5,328 4,662 0,666 0,666
201011225040 8 7 0 5,328 4,662 0,666 0,666
201021226025 7 6 2 4,662 3,996 0,666 0,666
201011225001 6 6 3 3,996 3,996 0 0
201011225006 4 4 7 2,664 2,664 0 0
201011225009 4 7 4 2,664 4,662 -1,998 0
200921226028 5 6 4 3,33 3,996 -0,666 0
201011225035 5 6 4 3,33 3,996 -0,666 0
201011225044 6 6 3 3,996 3,996 0 0
201011225020 5 6 4 3,33 3,996 -0,666 0
201021226027 5 5 5 3,33 3,33 0 0
201021226052 4 10 1 2,664 6,66 -3,996 0
201011225023 6 6 3 3,996 3,996 0 0
201011225027 6 7 2 3,996 4,662 -0,666 0
201021226041 6 9 0 3,996 5,994 -1,998 0
200921226018 6 9 0 3,996 5,994 -1,998 0
201011225058 6 9 0 3,996 5,994 -1,998 0
                                                                              Média da sala 2,2

Estadão: Brasil está na 82ª posição em ranking de desigualdade entre os sexos


Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-esta-na-82-posicao-em-ranking-de-desigualdade-entre-os-sexos,90527,0.htm


País é um dos piores do mundo na diferença salarial entre homens e mulheres

01 de novembro de 2011 | 11h 30
Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S.Paulo
NOVA YORK - Mesmo com uma mulher na Presidência pela primeira vez em sua história, o Brasil ocupa a 82a posição no ranking de desigualdade elaborado pelo World Economic Forum publicado nesta terça-feira, logo atrás de países como a Albânia, Gâmbia, Vietnã e República Dominicana.
A má colocação do Brasil, que está em último na América do Sul, se deve a um desempenho extremamente fraco na iniciativa para combater a desigualdade entre os sexos na economia e na política. Um dos problemas mais graves é a diferença salarial entre homens e mulheres que exercem o mesmo cargo.
"O Brasil é um dos piores países do mundo nesta questão salarial. As mulheres chegam a ganhar metade dos homens em alguns casos para trabalhar na mesma função", disse aoEstado Saadia Zahidi, pesquisadora do World Economic Forum responsável pelo levantamento.
Na política, mesmo com a eleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado, o Brasil também tem uma performance que o coloca fora dos cem primeiros colocados. Segundo Zahidi, "faltam mulheres em posições ministeriais e acima de tudo no Parlamento".
O Brasil é o 103o e 111o colocado quando se leva em conta as mulheres em cargos ministeriais e parlamentares respectivamente em um desempenho considerado péssimo para um país com uma das maiores economia e democracias do mundo.
O World Economic Forum também adverte que faltam no Brasil mulheres em posições de liderança na iniciativa privada, ainda dominada pelos homens, de acordo com o levantamento.
Apesar de ter subido duas posições em relação ao mesmo ranking no ano passado, o Brasil manteve uma posição praticamente idêntica ao levantamento anterior. Mais grave, o país está bem distante da 67a colocação de cinco anos atrás, quando teve a sua melhor performance.
Na América do Sul, Colômbia, Peru, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Uruguai, Chile, Equador, Argentina estão à frente do Brasil. Os argentinos, com um desempenho incomparavelmente superior ao dos brasileiros, estão na 28o colocação.
Apesar da fraca performance para igualdade entre os sexos na economia e na política, o Brasil ocupa a primeira colocação no ranking na área da saúde, empatado com vários outros países. Na educação, os brasileiros também lideram quando se leva em conta a educação secundária, mas despencam para 105a colocação na primária.