domingo, 30 de outubro de 2011

Estadao: Pra onde vai esse trem?


Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pra-onde-vai-esse-trem,792431,0.htm

Demógrafo da ONU prevê que a população deve se estabilizar por volta de 2050, mas haja solavanco até lá

30 de outubro de 2011 | 3h 07
Juliana Sayuri e Mônica Manir - O Estado de S.Paulo
Amanhã, fim de mês, a ONU fecha a conta do mundo em 7 bilhões de habitantes. E abre outra logo em seguida, estimando que vêm mais 8 bilhões por aí até 2100. Só depois seria possível passar a régua e dizer que a população se estabilizou.
Pendurados. Hoje os paquistaneses são 117,8 milhões - Khalid Tanveer/File/AP Photo
Khalid Tanveer/File/AP Photo
Pendurados. Hoje os paquistaneses são 117,8 milhões
O holandês Ralph Hakkert é demógrafo do Fundo de População das Nações Unidas. Pelo que tem observado de seus voos pelo planeta, é mais otimista: por volta de 2050 a coisa se acomoda em torno dos 9 bilhões. Não só porque as mulheres terão mais acesso aos métodos contraceptivos, mas porque a África passará por um processo muito acentuado de urbanização, o que deve desencorajar a fecundidade do continente mais animado a se multiplicar.
É da África que ele conversa com o Aliás. Hakkert estava em Nairóbi, capital do Quênia, para dar um workshop sobre métodos de estimativa demográfica. O país já foi considerado o de mais alta fecundidade no mundo, com uma média de 8,11 filhos por mulher. Hoje está na casa dos 4,62, um número ainda disparatado, especialmente quando se leva em conta que metade da população mora em países onde a fecundidade se encontra abaixo do nível de reprodução, com 1,8 filhos.
"O Brasil está nessa faixa, ou seja, as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações", explica. Mas pergunta: "Até que ponto o Estado pode interferir na vida privada da população para conseguir um ou outro comportamento reprodutivo?" Da sua, ele já sabe: quer unir de novo a família, separada pelo trabalho. Em Brasília moram sua mulher e o filho mais velho. Em Nova York, ele divide um apartamento com o mais novo. Em 2013 esse demógrafo de 59 anos que foi pesquisador do Núcleo de Estudos da População (Nepo), da Unicamp, e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quer se aposentar. E morar no Brasil, que, segundo suas previsões, em duas décadas será um dos polos de atração do intenso processo migratório mundial.
Como tende a se comportar a população mundial até o final deste século?
Ainda serão acrescentados 1 ou 2 bilhões de pessoas ao número total. Mas já há sinais claros de que o comportamento da população está mudando e esse crescimento ficará mais lento. Em algum futuro previsível, vai parar. Haverá uma estabilização.
E será por volta de 2040?
Não, acredita-se que será mais tarde. Há uma agência na ONU chamada Divisão de População que, a cada dois anos, faz estimativas sobre como a população vai se desenvolver. Em 2008, ela projetou que o crescimento iria parar em 2040, 2045. Neste ano de 2011 fizeram uma revisão e agora são mais pessimistas. Acham que o crescimento vai continuar por mais tempo, só deve parar por volta de 2100.
O senhor concorda com a nova projeção?
Sou um pouco mais otimista. Aposto que a população vai se estabilizar por volta de 2050, mas é muito difícil fazer projeção de longo prazo sobre isso. Quando você tem uma hipótese um pouquinho diferente sobre o ritmo de redução da fecundidade, pode chegar a conclusões bem diversas. Essa é uma arte bastante sensível.
O que o leva a achar que a redução da fecundidade será mais rápida?
Primeiro, a urbanização. Segundo, o nível de acesso que as mulheres têm à saúde reprodutiva e aos métodos contraceptivos. Terceiro, as oportunidades que surgem para as mulheres no mercado de trabalho, o que as estimula a ter menos filhos.
Por que a fecundidade tende a diminuir com a urbanização? 
Um famoso demógrafo australiano, John Caldwell, desenvolveu o seguinte argumento: nas sociedades tradicionais, principalmente as rurais, o fluxo de riqueza entre gerações é predominantemente dos filhos para os pais, ou seja, os pais precisam investir pouco nos filhos em termos de educação, capital humano, mas existe um fluxo de riqueza dos filhos porque eles começam a trabalhar desde cedo, contribuem para a renda da família e sustentam os pais na velhice. Então, numa sociedade tradicional rural, é bom negócio ter muitos filhos. Já a economia urbana se baseia muito na educação como instrumento de ascensão social. Também existe menos necessidade de se procriar para ter segurança na velhice na medida em que existe maior cobertura do sistema de aposentadorias. Na economia urbana moderna, portanto, o fluxo de riqueza é mais de pais para filhos.
Como se lida com barreiras culturais quanto ao planejamento familiar? Na África Subsaariana elas são muito fortes, não?
Sim, as pessoas na África Subsaariana querem muitos filhos porque isso é visto como fonte de riqueza. Mas isso tende a mudar. A África é o continente que terá o maior ritmo de urbanização nas próximas décadas. Isso impactará o crescimento das populações. Elas vão depender de mais atividades econômicas urbanas e as mulheres terão mais oportunidades de trabalho. Mas veja outros fatores, como a religião. Antigamente se dizia que ela favorecia a existência de famílias grandes. Contudo, os países de fecundidade mais baixa no mundo, Itália e Espanha, são predominantemente católicos. No Irã, apesar da força da cultura muçulmana, houve uma queda recente e rápida.
Quais são os países de maior fecundidade?
Os da África, como o Níger, onde as mulheres ainda têm seis filhos. Uganda, Burquina Faso e Máli não ficam atrás. Mencionaria também a Tanzânia, e o Afeganistão.
E a América Latina? Como o senhor avalia a taxa de fecundidade do continente?
A América Latina tem tido uma transformação muito forte nesse sentido também. Um dos casos principais é justamente o Brasil. No final dos anos 60, a taxa de fecundidade no País era da ordem de cinco, seis filhos por mulher. Hoje a taxa está abaixo de dois. Ou seja, as pessoas no Brasil nem têm o número de filhos que precisam para se reproduzir. O Chile também tem uma fecundidade muito baixa, assim como Cuba e Trinidad e Tobago. Os únicos que ainda mantêm uma fecundidade elevada são Guatemala, Honduras e Nicarágua, com uma média de três filhos por mulher.
As sociedades idosas podem se tornar um peso para a geração de filhos únicos?
Há alguns países em que o envelhecimento será um problema bastante sério no futuro, e não falo só dos mais desenvolvidos. Na China, a diminuição da fecundidade foi muito brusca. Lá a média é de 1,5 filho por mulher. A sociedade chinesa não está organizada para o envelhecimento porque os chineses ainda esperam que os filhos cuidem dos pais. Isso será cada vez mais difícil, inclusive porque haverá um grande número de pessoas que ficarão velhas sem filhos. No Brasil, a seguridade social é relativamente ampla. Na China não existe isso.
Qual país tem a maior expectativa de vida?
O Japão. A média de vida deles é de mais de 80 anos. Mas veja que o que determina o envelhecimento de uma população não é tanto a expectativa de vida, mas a baixa fecundidade, de menos de dois filhos. A população vai envelhecer de qualquer forma, mesmo que a esperança de vida não seja tão alta, como na China.
No último relatório da ONU, a questão da fecundidade foi deslocada dos fatores econômicos e sociais para os direitos humanos. Como o senhor vê essa transposição?
Os direitos reprodutivos se encaixam no conceito de direitos humanos. As pessoas têm o direito de ter o número de filhos que desejam. Isso foi uma resolução que se tomou na Conferência Mundial do Cairo, em 1994, na qual se consagrou a ideia de que a decisão sobre a fecundidade pertence a cada mulher, a cada casal. A obrigação do Estado é dar às pessoas meios que lhes permitam exercer seu direito de opção sobre o número de filhos que desejam. Mas metade da população mundial já mora em países em que as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações. Acabo de voltar da Armênia, onde já se oferece bônus para os casais. A Mongólia também subsidiou o nascimento de crianças. Daí surge a discussão: até que ponto o Estado pode interferir na vida privada das pessoas para conseguir que tenham um ou outro comportamento reprodutivo?
A desigualdade econômica entre os países tende a aumentar? Os pobres serão ainda mais pobres? E os ricos serão em menor quantidade, mas ainda mais ricos?
É uma pergunta difícil. Você precisa perguntar isso a um economista. Se por um lado existe a tendência de uma maior desigualdade nos países mais desenvolvidos, por outro há o crescimento explosivo de países em desenvolvimento. Estou muito impressionado com o que está acontecendo com a China. Tive um estagiário chinês trabalhando comigo durante o verão e, ao ouvi-lo falar sobre as mudanças no ambiente familiar e dos amigos, fiquei com a nítida sensação de que a China vai explodir economicamente, o que vai mudar as relações no mundo. Ao mesmo tempo, não sabemos qual vai ser o resultado disso. Pra dizer a verdade, não acredito muito que a pobreza vá aumentar. Em nível mundial, em termos de porcentuais, ela vai diminuir, mas será um processo um pouco contraditório. Em alguns países pode haver pobreza, como nos EUA, onde moro e vivencio essa discussão o tempo todo. Fala-se que, daqui a 20, 30 anos, Brasil e EUA terão níveis de desigualdade parecidos.
O Ocupem Wall Street mostra que as pessoas já se deram conta disso?
Existe uma percepção de que o sistema econômico não é justo. A crise de 2008 foi vista como uma crise de credibilidade do sistema capitalista nos EUA, mas na Europa também. As pessoas estão se sentindo inseguras, percebem que não há igualdade de oportunidades. A geração atual de jovens americanos provavelmente será a primeira, desde a 2ª Guerra Mundial, a ter uma vida econômica mais difícil que a de seus pais. E essa insegurança se reflete na polarização política. Enquanto há gente ocupando Wall Street para dar vazão à insatisfação, há segmentos conservadores da classe média que acham que tudo se resolve se voltarem aos valores capitalistas de antes.
Muitos têm relacionado as ondas rebeldes no Oriente Médio aos mais jovens, que seriam mais instruídos. Os jovens são mesmo os protagonistas das mudanças?
Sim e não. Sim no sentido de que a Primavera Árabe reflete a crescente frustração dos jovens com as poucas oportunidades econômicas, sociais e políticas que seus países oferecem. Isso tem muito a ver com o rápido crescimento do nível de instrução nesses lugares. Egito, Irã e Síria têm investido muito na educação, o que não tem sido acompanhado de uma expansão das oportunidades. Agora, alguns dizem que os acontecimentos no Oriente Médio têm a ver com o grande contingente de jovens nesses países. O número de jovens nesses países, como porcentual da população com mais de 15 anos, não é excepcional neste momento. Essa proporção já foi até maior.
As pessoas mais ricas do mundo são as que mais emitem dióxido de carbono. O que ameaça mais o mundo - o número de pessoas ou o estilo de vida que levam?
A curto e médio prazo, é mais o estilo de vida. Se supusermos que o estilo de vida se manterá constante e observarmos onde o maior crescimento de população vai ocorrer, ou seja, nos países menos desenvolvidos, principalmente na África, o impacto que isso terá sobre a emissão de dióxido de carbono será relativamente pequeno. Por outro lado, sabemos que haverá certo crescimento da população nos EUA e no Canadá. O efeito disso sobre a emissão de dióxido de carbono será muito maior porque o nível de consumo per capita de dióxido de carbono é grande nesses países. Mas, a longo prazo, o crescimento populacional terá um impacto porque os países que apresentam um baixo nível de consumo e emissão de dióxido de carbono não ficarão eternamente nessa situação. Haverá um impacto enorme se todos os chineses tiverem um carro, como têm os americanos.
Na edição passada entrevistamos o ambientalista Lester Brown, que mencionou a subida drástica dos preços dos grãos e a dificuldade dos países importadores de se manter contando só com o mercado. Daí que China, Arábia Saudita e Coreia do Sul começaram a comprar ou arrendar terra em outros países, particularmente na África, para produzir alimentos para si próprios. O senhor está em Nairóbi. Essa discussão chegou até aí?
Existe um conceito, que provavelmente Lester Brown mencionou, que é a ideia de que alguns países na realidade possuem uma área de influência muito maior do que a área física que ocupam no globo. O país de que sempre se lembram nesse contexto é o meu, a Holanda. É uma nação pequena, tem 16 milhões de habitantes dentro de uma área que corresponde ao Estado da Paraíba. Mas, pelo fato de participar de intenso comércio internacional, a área do planeta que ocupa é muito maior. Então, quando as pessoas argumentam que toda a população mundial poderia se sustentar com a mesma densidade demográfica da Holanda, esquecem que na realidade a densidade da Holanda pode ser alta porque ela indiretamente se apropria de uma terra muito maior do que a que ocupa. O argumento de que existem países de alta densidade demográfica sem que isso signifique um problema não se sustenta. Não seria possível que todos os países do mundo tivessem uma densidade demográfica tão alta.
Como se comportarão os países diante dos processos migratórios? As sociedades serão mais xenófobas ou tolerantes?
A contradição vai se acentuar. Um exemplo? A situação da Espanha. Se existe ali um desemprego juvenil muito elevado, de 40%, ao mesmo tempo há uma afluência de jovens latino-americanos para pegar os empregos que os espanhóis não querem. Objetivamente, eles não estão roubando o espaço dos espanhóis, mas as coisas nem sempre são percebidas dessa forma. As pessoas veem que há cada vez mais estrangeiros trabalhando no país, então têm uma reação contrária às vezes irracional. Isso também se vê nos EUA com relação aos mexicanos. Certamente haverá uma barreira de xenofobia, mas qual dos lados vai ganhar não está tão claro assim.
Um dado divulgado pela ONU é que 214 milhões de pessoas estarão vivendo fora de seus países de origem. Parece que o lado dos estrangeiros tende a ganhar...
Esse número é real e ainda vai aumentar. Eu dizia que cheguei de uma reunião na Armênia onde havia pessoas estudando a região. Num país como o Tajiquistão, existem tantos cidadãos morando fora que mais ou menos 30% do PIB daquele país é dos migrantes que mandam dinheiro para familiares. E temos casos na América Latina que se aproximam disso. Uma parcela significativa do PIB da Nicarágua, 15%, 20%, corresponde a remessas de migrantes.
O Brasil vai se tornar cada vez mais um polo de atração nesse processo?
Apesar da migração de bolivianos, o Brasil ainda não é um polo de atração muito forte. Mas daqui a uma ou duas décadas tende a ser. A Costa Rica tem uma migração muito significativa de nicaraguenses, o México recebe gente da Guatemala, de Honduras. Claro que muitos desses migrantes passam pelo México para ir para os EUA, mas muitos ficam.
O senhor tem uma pesquisa sobre o movimento migratório brasileiro na última década, mostrando como nordestinos ainda jovens têm voltado para a cidade de origem. Há um movimento interno semelhante acontecendo em outros países?
Aquele movimento migratório que ia do Nordeste para o Sudeste realmente se reverteu, não porque hoje haja mais empregos no Nordeste, mas por causa de uma infraestrutura melhor que aquela de 20, 30 anos atrás. Se está acontecendo em outros países? Logo depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, muita gente saiu da Polônia, da Romênia, da Bulgária, da Geórgia e da Armênia para ir para o oeste. Atualmente essa situação está um pouco diferente. Agora é uma migração entre países da mesma região. Por exemplo, muita gente está saindo de países como Tajiquistão, Turcomenistão ou países da Ásia Central em direção à Rússia.
Apesar do autoritarismo russo com relação às minorias?
Sim, assim como houve uma tendência de migração da Europa e da Ásia Central para a China. Lembro o fenômeno das garçonetes russas nos restaurantes chineses. Quando as pressões econômicas são suficientemente fortes, as pessoas se dispõem a sofrer certas privações do ponto de vista social e político se com isso percebem a possibilidade de melhorar seu status a longo prazo. Lidamos com isso muito mais facilmente, principalmente quando se trata de uma situação temporária.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

BBC:Descubra o seu “número humano”: eu sou o 79.824.190.974° ser humano da história da Terra, e você?


Descubra o seu “número humano”: eu sou o 79.824.190.974° ser humano da história da Terra, e você?


Você sabia que é possível se encaixar cronologicamente com os oitenta bilhões de pessoas que já viveram na Terra desde o início dos tempos? A BBC criou uma ferramenta bem legal que usa seu aniversário para descobrir quantas pessoas nasceram antes de você – e disso, qual é seu “número humano”. Eu sou o 79.824.190.974° ser humano da Terra. E você?
O primeiro número considera quantas pessoas estavam vivas quando você nasceu. O segundo número é cumulativo: ele considera quantas pessoas já viveram na história da Terra para lhe dá seu “número humano”.
Os cálculos são todos baseados em estimativas da UNPOP (Divisão de População das Nações Unidas), uma divisão da ONU que monitora estatísticas sobre a população mundial. A ferramenta foi criada para lembrar que, em algumas semanas, chegaremos a 7 bilhões de humanos no planeta. Mais louco que isso é que os números da ONU estimam dez bilhões de habitantes até 2050, o que seria assustador se o apocalipse já não estivesse previsto para o ano que vem. A ferramenta está aqui: [BBC via Ycombinator]
Atualizado, valeu anônimo!

BBC:Análise: 'Dez bilhões é o limite a que devemos nos ater'


Análise: 'Dez bilhões é o limite a que devemos nos ater'

Atualizado em  26 de outubro, 2011 - 14:21 (Brasília) 16:21 GMT
Praia na China/AFP
Aumento populacional afeta outras formas de vida no planeta
É absolutamente crucial agora monitorar de perto o crescimento da população humana. De fato, estamos acelerando, com a estimativa de 9 bilhões em 2043, acima do que se esperava anteriormente a partir de análises de população feitas pelas Nações Unidas.
Dez bilhões é o limite a que deveríamos nos ater. Podemos fazer isso, e pelo menos as tendências apontam na direção certa, com quedas nos índices de natalidade em todos os continentes. Mas deveríamos nos esforçar mais para ao mesmo tempo nos afastarmos da opressão às mulheres e de gestações indesejadas.
Ainda mais importante que isso, deveríamos estar pensando de forma mais criativa sobre a questão do crescimento do consumo per capita no futuro em todo mundo.
Este aumento vai ser devastador e certamente será necessário tratar disso de forma a se alcançar sustentabilidade na alimentação e provisão de níveis decentes de moradia ao redor do globo. Isso não parece realmente estar na agenda mundial de forma a causar impacto nos países e nas pessoas mais atingidas pelo problema.

Estou particularmente preocupado com o que estamos fazendo com outras formas de vida. Estamos destruindo a diversidade biológica, que consiste de ecossistemas e das espécies que os habitam.

O perigo de sermos 'mais ou menos verdes'

Parte do nosso problema é que ao se tornar "mais ou menos verde", a população mundial tem se concentrado nas partes não vivas do meio ambiente, nos recursos naturais, na qualidade da água, na atmosfera, mudança climática e outros.
Até aí tudo bem, mas agora deveríamos estar dando igual atenção à parte viva do meio ambiente - os ecossistemas que sobrevivem e a grande maioria das espécies, que têm milhões de anos e estão em pleno processo de erosão.
Gostaria que déssemos mais atenção à criação de reservas e parques naturais em todo mundo. Em alguns lugares isso vem acontecendo, aleatoriamente, mas não da forma necessária.
Realmente precisamos separar mais regiões em que a natureza, o resto dos seres vivos possam ser protegidos, enquanto resolvemos os problemas da nossa espécie e nos ajustamos antes de destruir toda a Terra.

Opções para o próximo século

Ou sairemos deste século e entraremos no século XXII com um planeta em condições muito ruins e com muito menos condições de abrigar vida ou sairemos dele com a maior parte das outras formas de vida preservada e com o potencial para reconstruir a natureza de forma a dar à Humanidade uma chance real de viver no paraíso, com níveis de vida decentes para todos.
Não podemos esperar que os países em desenvolvimento criem programas de produção e consumo sustentáveis enquanto os países desenvolvidos não larguem na frente e mostrem o caminho. No momento, os ricos têm padrões absurdos de consumo, e as diferenças entre os setores mais ricos e os mais pobres estão cada vez maiores mesmo nos países em desenvolvimento.
Essa é uma tendência muito perigosa. Precisamos dar o exemplo nos países desenvolvidos adotando, no mínimo, medidas de limitação do consumo e uma distribuição mais inteligente da riqueza.
*O biólogo Edward O. Wilson é professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e atua como pesquisador, naturalista e escritor. Ele ganhou duas vezes o prêmio Pulitzer para não-ficção e trabalha no museu de Zoologia Comparativa de Harvard.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

UFMT:


Portaria altera ponto facultativo do Dia do Servidor

Publicado em Notícias | 25/10/2011
Portaria publicada hoje (25) no Diário Oficial da União, assinada pelo secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valter Correia da Silva, altera para o dia 14 de novembro próximo, uma segunda-feira, o ponto facultativo do Dia do Servidor Público.
Anteriormente, o ponto facultativo estava marcado para a data estabelecida pelo artigo 236 da Lei nº 8.112/1990, o dia 28 de outubro, próxima sexta-feira.
Portaria 870 apenas modifica a data do ponto facultativo, excepcionalmente, neste ano. Estão mantidas as demais recomendações aos dirigentes dos órgãos e entidades, para que seja preservado o funcionamento dos serviços essenciais. (Site do Servidor)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Folha: Onda de aposentadorias ameaça rigor fiscal


4/10/2011 - 07h29

Onda de aposentadorias ameaça rigor fiscal

PUBLICIDADE
GUSTAVO PATU
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/poder/995434-onda-de-aposentadorias-ameaca-rigor-fiscal.shtml
Uma onda de aposentadorias no funcionalismo público criou uma pressão fiscal e administrativa sobre o governo Dilma Rousseff.
Dados do Ministério do Planejamento apontam que, neste ano, uma média de 1.290 servidores civis da União se aposentam por mês.
Trata-se do dobro da média mensal de cinco anos atrás e o maior volume desde a reforma da Previdência do setor público, em 2003.
A diferença é que, agora, o surto de aposentadorias não é resultado de uma corrida temporária contra mudanças na legislação previdenciária. O motivo é o envelhecimento do quadro de pessoal.
A média de idade dos civis do Executivo subiu de 45 para 46 anos do início da administração petista para cá.
Desde a década passada, houve uma elevação da fatia de servidores mais jovens. Porém, o crescimento do número de funcionários acima dos 50 anos foi ainda maior.
Nessa faixa havia 122 mil servidores no final de 2002. Em 2009, foi atingido um pico de 217 mil, quase 40% do total. A partir daí, as aposentadorias foram aceleradas.
Hoje, com a proporção de 36,8%, algo próximo a um terço da força de trabalho poderá deixar nos próximos anos o serviço público.
Especialista em contas públicas, Mansueto Almeida, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), avalia que a escalada das aposentadorias tende a frustrar o ajuste dos gastos com pessoal no governo Dilma.
GASTO PÚBLICO
Aposentados e pensionistas permanecem na folha de pagamentos da União e hoje respondem por 40% das despesas com o funcionalismo.
Segundo Almeida, há uma tendência de redução dos gastos com os ativos porque não estão no horizonte reajustes salariais tão generosos como os concedidos durante o governo Lula.
No entanto, as aposentadorias, que em seus cálculos poderão bater a casa de 30 mil anuais, tornarão mais difícil reduzir o custo total.
"O planejamento fiscal é pensado para um cenário em que a economia cresce 5% ao ano, eleva a arrecadação e acomoda o crescimento da despesa. Nós não teremos esse crescimento neste ano nem no próximo", diz.
Já o Ministério do Planejamento argumenta que há incentivos para manter os servidores na ativa, como gratificações por desempenho (Almeida, porém, diz que boa parte delas foi incorporada às aposentadorias).
Segundo a pasta, 80 mil funcionários já em condições de se aposentar preferem permanecer no serviço público.
As contratações por concurso continuarão a priorizar funções mais qualificadas e de objetivos finalísticos.
Preocupado com o déficit com o pagamento de aposentadorias dos servidores, o governo Dilma tenta aprovar no Congresso Nacional um projeto que regulamentando a criação de um fundo de aposentadoria complementar para o setor público federal.
Com a regulamentação, a aposentadoria no setor público será limitada ao teto pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ao setor privado, hoje em R$ 3.691.
Quem quiser um benefício acima desse teto terá de contribuir para a previdência complementar. Mas essa regra deve ser aplicada apenas para quem entrar no serviço público depois que o fundo começar a funcionar.

domingo, 23 de outubro de 2011

Site interessante para treinar inglês

http://www.lyricstraining.com/

Tecmundo: 7 coisas que estão desaparecendo enquanto você está lendo este artigo



Máquinas de escrever, telégrafos, pagers e outras tecnologias já fazem parte do passado. O que não fará parte do futuro?
“Tudo o que é novo pede passagem” é um lema que pode ser levado ao pé da letra no ramo da tecnologia. Quando um método se mostra mais barato, mais rápido ou mais eficiente do que o anterior, é só questão de tempo até que as pessoas o adotem.
Isso já aconteceu com o telégrafo, toca-discos, pager, fax, walkman, disquete, videocassete, máquinas de escrever e tantas outras ferramentas que agora só fazem volume no “quartinho da bagunça” ou se transformaram em  artigos para colecionadores ou material para salas de museu.  
Como o tempo é impiedoso e não para, neste exato momento — enquanto você lê este texto — existem mecanismos e objetos se tornando ultrapassados. É claro que o processo é gradual e acontece de maneira sutil. Portanto, faça suas apostas: avalie a seleção que o Tecmundo fez e nos diga se os itens citados terão ou não espaço na sociedade que está por vir.

Livrarias tradicionais

Já reparou o quanto é difícil encontrar uma livraria que vende exclusivamente livros? Várias redes continuam firmes e fortes, mas oferecendo diversos outros atrativos para manter a clientela. Você já deve ter notado o material escolar, CDs, DVDs, celulares, notebooks e até brinquedos tomando conta dos mostruários e prateleiras.
(Fonte da imagem: Dee Garreston)
Mas não é só isso. Os principais vilões dos clássicos pontos de venda são o comércio eletrônico e a popularização dos tablets e derivados. Pense bem: diferente de outros tipos de mercadoria, quando se trata de uma publicação impressa você não precisa exatamente testar ou averiguar pessoalmente a condição do produto.
Além disso, uma pequena avaria dificilmente comprometeria um produto como o faria com um eletrônico. Dessa forma, torna-se muito mais prático e cômodo para o leitor pesquisar, ler sinopses e comentários sobre o que deseja em um site, para depois comprar via web.
Mesmo assim, nesse tipo de transação ainda há o tempo de espera entre o pedido e a entrega. Contudo, quando se fala em e-books, essa distância não existe, já que o conteúdo chega ao usuário assim que o pagamento é efetuado.
Os livros não devem sumir tão cedo. A superfície opaca, o cheiro do papel e a experiência de troca de páginas continuam sendo levadas em conta pelos consumidores — já as livrarias, como as gerações passadas conheceram, estas sim devem perecer.

Livros didáticos

Abraçados às livrarias, estão os livros didáticos e enciclopédias. A ideia de vincular laptops e tablets às salas de aula traz mais agilidade às pesquisas e um peso — e custo — menor para os estudantes. Imagine que a interatividade de ensino em um meio digital é muito superior à apresentada por páginas escritas e esquemas estáticos.
Ampliar(Fonte da imagem: Obama Pacman)
Sem contar com a praticidade: dezenas de apostilas, dúzias de livros acadêmicos e milhares de vídeos explicativos cabem em artefato único. Fora isso, a tecnologia touchscreen tem ampla aceitação entre os nascidos no novo século (já tem até criança achando que uma revista é um tablet que não funciona!).
Ainda é cedo para afirmar quando a situação financeira global permitirá que boa parte das instituições de ensino troquem os tradicionais cadernos por dispositivos computadorizados. No entanto, as chances de isso acontecer são grandes e, se a previsão se confirmar, os professores terão que pensar em novas maneiras de aplicar provas — enquanto os alunos terão que desenvolver outras artimanhas para colar.

Mapas de papel

Mesmo os mais conservadores não têm como negar que os mapas impressos, ainda que tenham seu charme, não são nem um pouco intuitivos. Localizar ruas e percursos através de volumes cartográficos vai representar, para os nossos netos, algo como o que uma manivela simboliza hoje para nós.
Ampliar(Fonte da imagem: Wikipedia.)
Quando você consulta um serviço de GPS (principalmente em um tablet, onde a tela é maior), um sentimento de que a tarefa nasceu para ser executada ali naquele portátil toma conta dos seus dedos. Arrastar, dar zoom, consultar nomes de ruas, traçar rotas: tudo é feito com extrema leveza.
Por mais que o sistema nem sempre esteja 100% correto e a voz integrada soe mandona e repetitiva, pode ter certeza de que esse tipo de tecnologia é um passo sem volta. Quanto aos mapas de papel? Estes vão se tornar relíquias e partes dos filmes da Sessão da Tarde cuja trama envolve velhos piratas e crianças audaciosas se aventurando em busca de tesouros.

Linhas fixas de telefone

Houve um tempo em que o processo de aquisição de uma linha telefônica era demorado e custoso. Hoje, o Brasil tem mais celulares que habitantes e as operadoras dão até aparelhos de graça. Até o momento, a vantagem de um telefone fixo está apenas nas tarifas menores e em certos planos de minutagem.
Contudo, a situação já vem mudando — as cobranças vêm diminuindo e as ofertas para a telefonia móvel ficam cada vez mais tentadoras. Isso sem contar a enorme quantidade de funções apresentadas pelos smartphones: agenda, internet, games, aplicativos, SMS — ou seja, sem comparação!
No futuro, a condição de um sistema de comunicação não portátil não fará o menor sentido. E, aliás, por que você vai discar para a casa de uma pessoa se é possível ligar diretamente para ela?

Internet discada

Junto à cova dos telefones residenciais, estarão também os modems responsáveis pela internet discada. Daqui a um tempo, a deliciosa sinfonia de ruídos responsável por estabelecer uma conexão analógica ficará conhecida apenas como uma obra que foi amplamente executada no final do século XX.
A tecnologia banda larga segue evoluindo em passos conjuntos com redes cada vez mais eficientes, como a 4G. Até a Copa do Mundo de 2014, o governo nacional deseja que 75% dos lares estejam cobertos por conexões ultravelozes — e o melhor é que é até mais fácil cobrir áreas isoladas com sinais digitais por satélite do que com cabos de telefonia.
Em cerca de 30 anos, ao que se espera, o avanço deve ser tremendo. Com isso, cada vez menos provedores vão oferecer serviços de conexão e cada vez mais novos computadores virão sem modems agregados. Resumindo: a internet de baixa velocidade vai ser apenas uma lenda para contarmos para as gerações vindouras.

Telefones públicos

Os famosos orelhões — pelo menos da maneira como os conhecemos — estão com os dias contados e vão fazer companhia às linhas telefônicas fixas e modems analógicos. A razão pela qual isso deve acontecer não carrega nenhum mistério e, novamente, o grande responsável pela revolução atende pelo nome de celular.
Contudo, os telefones públicos podem vir a se tornar centrais multimídia conectadas, capazes de enviar e receber emails e SMS, recarregar celulares, realizar videochamadas e oferecer conexão Wi-Fi. Esse tipo de experiência já acontece em alguns países (na Espanha, por exemplo, esse tipo de tecnologia existe desde 2007).
Ampliar(Fonte da imagem: NUSA)
No Brasil, também existem empresas que oferecem protótipos parecidos, mas sem tanta notoriedade até agora. Por enquanto, ainda não há especulações palpáveis sobre quando a modernização deve começar a acontecer. Mas uma coisa é certa: os milhões de aparelhos destinados apenas a chamadas telefônicas espalhados pelas ruas vão ter arranjar outro lugar para ficar em um futuro próximo.

Backup em CD ou DVD

Dados e informações sempre foram e sempre serão tratados com importância. O que muda, todavia, é a maneira a qual lidamos com eles. Documentos que outrora ocupavam imensos depósitos e intermináveis gavetas hoje são minoria e os acervos digitais tornaram-se padrão em departamentos comerciais e organização domiciliar.
Com isso, surgiu a necessidade não só de acumular tudo isso em discos e drives, como também de fazer backups para evitar qualquer problema com corrupção de arquivos ou perda total das unidades de armazenamento. As plataformas para tal tarefa foram evoluindo e ficando cada vez menores e mais potentes: disquete, CD/DVD e, por fim, pendrives e cartões SD.
Porém, uma tecnologia chegou para quebrar com tudo isso. A computação nas nuvens já é realidade, tem triunfado sobre a resistência e tem sido adotada por cada vez mais empresas (se você quiser ler mais a respeito do assunto, clique aqui).
A convergência possibilitada pelo sistema é, de fato, a melhor solução para um contexto no qual diversos aparelhos são utilizados para desempenhar funções semelhantes. Na prática, o computador vira apenas um componente ligado à grande e poderosa internet.
Quem sabe daqui a um tempo, gigabytes e terabytes vão ser termos antiquados com os quais somente profissionais de armazenamento nas nuvens deverão ter contato. A vantagem? Ninguém precisará se preocupar com backup. O perigo? O quão seguro é deixar todas as suas mensagens, fotos, vídeos, planejamentos financeiros, dados empresariais e outros documentos íntimos ou sigilosos à mercê de um organismo onipresente e distante?

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Todas as informações citadas acima são apenas suposições — afinal, o Tecmundo não tem bola de cristal (bem que gostaríamos de ter!). Se dizem que o futuro a ninguém pertence, pelo menos tentamos prever o que não pertencerá a ele.
Agora é a sua vez! Participe da discussão e nos conte: se depender de você, as tecnologias e tradições das quais falamos farão falta no mundo de amanhã?


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