quinta-feira, 14 de junho de 2012

ADUFMAT/ANDES: Conquistas e armadilhas


Fonte: 

Imagem da Marcha à Brasília do início do anoOntem, 12 de junho, no MPOG o governo reuniu-se com os representantes sindicais dos docentes das IFE, retomando as reuniões interrompidas pelo mesmo no último dia 28 de maio. Nessa oportunidade, o governo recebeu, após tensionamento, além das representações sindicais, o Comando Nacional de Greve, o que é uma conquista da pressão ocasionada pela grande greve instaurada e das intensas mobilizações que estavam ocorrendo em todo país, com forte divulgação, o que representa uma mudança de postura política do governo, pois o mesmo tem por prática não negociar com categorias em greve.
A convocação desta reunião revela a movimentação do governo frente ao nosso forte movimento de greve e de sua repercussão, já que algumas categorias dos servidores públicos federais da área da educação já estão em greve e outras com indicativos aprovados para os próximos dias.
Essa preocupação é perceptível na proposição de uma trégua de 20 dias feita pelo governo já no inicio da reunião, que significaria suspender a greve, e que em contrapartida, o governo se responsabilizaria pela conclusão da proposta de carreira nesse mesmo período. Consideramos esta proposta um desrespeito ao movimento diante do histórico das negociações sobre a carreira que se alongam desde 2010, e que tinha como último prazo acordado o dia 31 de março de 2012.
O ANDES-SN e demais representantes rejeitaram a proposição. Depois de um intervalo de 30 minutos, solicitado pelo governo, o mesmo retorna com uma proposta de reunião para 19/06 (terça-feira) pela manhã, se comprometendo a apresentar um esboço de proposta por escrito. O governo insistiu com a solicitação de trégua, que foi duramente rejeitada pelos representantes da categoria, que exigiram do governo a apresentação de uma proposição concreta na mesa. Diante disso, o governo admitiu que não tinha uma proposta a apresentar e fez alguns indicativos como a utilização da carreira de C&T como “referência” para a proposta de carreira docente das IFE. Indagamos sobre o significado de tal “referência”, e o governo respondeu que era salarial, mas não podia se comprometer com a garantia do piso e teto, ficando apenas numa indicação genérica, abstrata e que não oferece, neste momento, subsídios para nossa avaliação.
Destacamos, mais uma vez, que a carreira dos docentes das IFE é diferenciada da carreira de C&T na sua estrutura e concepção, e que falar em tomá-la como referência sem apresentar os elementos básicos para isso é uma armadilha para confundir e desmobilizar a nossa categoria. Ressaltamos que estamos empenhados no avanço das negociações, porém não podemos avançar sem uma proposta formal do governo.
No primeiro momento a justificativa colocada para adiar o prazo para finalização das negociações foi a crise macroeconômica internacional e sua eventual conseqüência nas priorizações orçamentárias. Agora reaparecem no cenário as tentativas protelatórias governamentais, com nítido apoio de alguns de seus aliados do meio acadêmico e sindical, de inverter o sentido do debate. Essa atitude do governo dificulta as negociações, que devem ter, do ponto de vista conceitual e estrutural, caráter duradouro e não estarem condicionadas a um elemento meramente conjuntural.
Ao final da nossa reunião encontramos os dirigentes da categoria de C&T que aguardavam no saguão do MPOG por sua reunião com o governo, e que comentaram conosco a enorme defasagem em que suas carreiras se encontram: valores congelados desde 2009, composição remuneratória composta por várias gratificações produtivistas; ausência de diferencial de dedicação exclusiva; tabela diferenciada com valores menores para os aposentados, entre outras discrepâncias.
Ao invés de fazer comparações com carreiras de outras categorias ou cálculos dos impactos financeiros é preciso observar que os ataques a carreira docente perpetrados nos últimos anos transformaram o atual quadro remuneratório em um conjunto de valores nominais desestruturados, que não garantem direitos relativos a percentuais que valorizem cada passo na progressão, a ganhos percentuais por titulação, e a percentuais de retribuição pelos regimes de trabalho de 40 horas e dedicação exclusiva.
Nosso desafio nesse momento é ampliar a luta e manter o foco do movimento centrado na nossa pauta de reivindicações e suas implicações quanto à natureza da atividade acadêmica, a defesa da autonomia universitária e do padrão unitário de qualidade, bem como, da estabilidade jurídica dos conceitos e estrutura salarial da carreira docente. Isto implica prevenir-se de armadilhas como as que foram utilizadas em outros momentos em que ocorreu o afunilamento das negociações e que podem ser reeditadas.
  1. ENCAMINHAMENTOS

1.1.        Intensificar as atividades da greve, dando maior visibilidade às ações bem como aos apoios recebidos.
1.2.        Vigília, com atividade no dia 19 de junho, concomitante à reunião de negociação
1.3.        Dar sequência às atividades de mobilização já indicada para o dia 20 de junho: participação nas atividades organizadas pelos SPF relacionadas  com a Rio + 20, que incluem, no Rio de Janeiro ampla programação que prevê uma expressiva coluna na Marcha Internacional da Cúpula dos Povos.

A GREVE É FORTE! A LUTA É AGORA!

Brasília 12 de JUNHO de 2012
CNG/ANDES-SN

Nenhum comentário:

Postar um comentário