Fonte:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15313999,00.html?maca=bra-TWITTER-BR-2009-xml-mrss&utm_source=Deutsche+Welle&utm_medium=twitterECONOMIA | 12.08.2011
Depois de Grécia, Irlanda, Portugal, e mais recentemente Itália e Espanha – agora é a vez de a economia da França preocupar as lideranças europeias. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, interrompeu suas férias esta semana para tentar apagar o incêndio iniciado com a divulgação de que a economia do país estagnou no segundo trimestre do ano.
A segunda maior economia da zona do euro registrou crescimento nulo entre abril e junho, após um índice de 0,9% nos primeiros três meses de 2011 – o maior percentual dos últimos cinco anos.
Os números publicados pelo instituto francês de estatísticas INSEE aumentaram a pressão sobre o governo francês, que agora precisa convencer o turbulento mercado financeiro de que está em condições de cobrir suas dívidas.
O objetivo é garantir a continuidade da avaliação de rating AAA. Um eventual rebaixamento da classificação francesa poderia trazer sérias consequências, uma vez que o país é o segundo maior contribuinte no fundo de resgate europeu.
Sarkozy vai implementar medidas de austeridade com relação à economia doméstica. Na próxima terça-feira (16/08) ele terá um encontro com a chanceler federal alemã, Angela Merkel. Ambos querem discutir uma proposta conjunta para a administração econômica da zona do euro.
Queda do consumo na França foi a maior em 15 anos
Queda do consumo na França foi a maior em 15 anosO principal motivo da estagnação francesa seria a queda do consumo interno. Cautelosa, a população tem evitado gastar. O consumo caiu 0,7% – a maior retração em quase 15 anos. Os analistas esperavam um crescimento na economia de 0,3%.
"Os franceses jogaram a responsabilidade pela consolidação do orçamento para os bancos. Mas eles também agora também precisam se mexer", afirma o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Kramer.
Garantias francesas
O governo francês reafirma que as bases de sua economia continuam "sólidas" e que a ela continua no caminho certo para atingir a meta de 2% de crescimento este ano. Analistas, no entanto, já consideram este alvo otimista demais.
"Precisamos encontrar medidas de contenção de gastos que não atinjam nem os mais fracos, nem a economia", afirmou o ministro francês de Finanças, François Baroin.
A apenas oito meses das eleições presidenciais, Sarkozy precisará implementar medidas duras e impopulares para apertar os cintos e oferecer as garantias que o mercado exige, entre elas a remoção de benefícios fiscais para aumentar a receita, e corte de gastos públicos. O presidente precisará, no entanto, dos votos da oposição socialista para aprovar as medidas. A questão, aliás, promete ser um dos principais pontos da campanha eleitoral.
Nas últimas semanas, a França já vinha sendo foco dos mercados financeiros. Rumores de que o grande banco francês Société Générale estaria enfrentando dificuldades iniciaram uma avalanche de vendas no mercado de ações, que em uma semana foi empurrado para índices negativos.
Países europeus proíbem a venda de ações 'a descoberto'
Países europeus proíbem a venda de ações 'a descoberto'Fim da venda "a descoberto"
Quatro países da zona do euro – França, Itália, Espanha e Bélgica – passaram a proibir a partir desta sexta-feira a venda de ações "a descoberto", para tentar conter ações especulativas nas bolsas. Com isso, os investidores ficam proibidos de vender títulos antes mesmo de tê-los comprado – prática realizada para obter lucro a partir de uma possível desvalorização do título, causados por exemplo por falsos rumores sobre ações mais frágeis. Especialistas, no entanto, questionam se a medida terá efeitos duradouros, pois especuladores poderão driblar a proibição atuando em outras bolsas.
Ao lado da Alemanha, a França vinha atuando como um dos principais motores de crescimento da zona do euro, já que Estados muito endividados como Itália, Espanha e Portugal enfrentam muitas dificuldades para sair da crise. A Grécia, também atingida pelas turbulências econômicas, ainda se encontra em recessão.
A China vem observando a movimentação na União Europeia e pede aos países do bloco que dêem passos firmes na luta contra a crise financeira. Os chineses esperam que os Estados atingidos mostrem responsabilidade e tomem as rédeas da situação, segundo declaração do ministro chinês de Comércio, Chen Deming, em uma conferência dos países asiáticos na Indonésia.
MS/rts/lusa/afp
Revisão: Roselaine Wandscheer
Revisão: Roselaine Wandscheer

Nenhum comentário:
Postar um comentário